Tout s’en va dèjá

Gomes   16 de dezembro de 2017   Nenhum comentário em Tout s’en va dèjá

https://youtu.be/dTzbgnKUN7E

Le temps de le dire
Le temps de l’écrire
Tout s’en va déjà
Tout s’en va déjà
Et le temps peut-être
De vouloir en être
Rien n’est plus déjà
Rien n’est plus déjà
Et le temps sans doute
De quitter le doute
Il revient déjà
Il revient déjà
Et le temps d’en rire
Le temps d’en sourire
Le premier sourire
S’est figé déjà
Et le temps de vivre
Et d’apprendre à vivre
Notre goût de vivre
S’estompe déjà
Et le temps lui-même
De croire aux “je t’aime”
De crier je t’aime
C’est fini déjà
Le temps de le dire
Le temps de l’écrire
Tout s’en va déjà
Tout s’en va déjà
Et le temps peut-être
De vouloir en être
Rien n’est plus déjà
Rien n’est plus déjà
Et le temps sans doute
De quitter le doute
Il revient déjà
Il revient déjà
Et le temps d’en rire
Le temps d’en sourire
Le premier sourire
S’est figé déjà
Et le temps de vivre
Et d’apprendre à vivre
Notre goût de vivre
S’estompe déjà
Et le temps lui-même
De croire aux “je t’aime”
De crier je t’aime
C’est fini déjà
Et le temps lui-même
De crier je t’aime
Mon amour je t’aime
C’est fini déjà

 A Hora de dizer
A hora de escrever
Tudo está desaparecendo já
Tudo está desaparecendo já
E talvez o tempo
Querer ser
Já não existe mais nada
Já não existe mais nada
E o tempo provavelmente
Deixar a dúvida
Ele está voltando
Ele está voltando
E a hora de rir
Hora de sorrir
O primeiro sorriso
Que está preso está
E a hora de viver
E aprender a viver
Nosso gosto pela vida
Já desaparece
E o próprio tempo
Para acreditar em “Eu te amo”
Para gritar que amo você
Já passou
A hora de dizer isso
A hora de escrevê-lo
Tudo está desaparecendo já
Tudo está desaparecendo já
E talvez o tempo
Querer ser
Já não existe mais nada
Já não existe mais nada
E o tempo provavelmente
Deixar a dúvida
Ele está voltando
Ele está voltando
E a hora de rir
Hora de sorrir
O primeiro sorriso
Que está preso está
E a hora de viver
E aprender a viver
Nosso gosto pela vida
Já desaparece
E o próprio tempo
Para acreditar em “Eu te amo”
Para gritar eu amo você
Já acabou
E o próprio tempo
Para gritar eu amo você
Meu amor, eu te amo
Acabou Já

(Letra Tout s’en va dèjá, de Alain Barriere.  Música Canon in D Mayor, de Johann Pachelbel)

Sou a Maçonaria

Gomes   7 de setembro de 2017   Nenhum comentário em Sou a Maçonaria
  Sou a Maçonaria – PGM Erwin Seignemartin  

Sou a Maçonaria

      Faz muito tempo que nasci. Nasci quando os homens começavam a acreditar em um Deus único. Fui combatida, vilipendiada e até fizeram troça do meu ritualismo e doutrina mas, através dos tempos foram reconhecendo minha seriedade e princípios, acabei sendo reconhecida como uma entidade íntegra que congrega homens íntegros. As encruzilhadas do mundo ostentam catedrais e templos que atestam a habilidade de meus antepassados. Eu me empenho pela beleza das coisas, pela simetria, pelo que é justo e pelo que é perfeito. Espalho coragem, sabedoria e força para aqueles que as solicitam. Para comprovar a seriedade de meus princípios, sobre meus Altares está o Livro Sagrado, a Bíblia, e minhas preces são dirigidas a um só Deus Onipotente. Meus filhos trabalham juntos, sem distinções hierárquicas, quer seja em público, quer seja em recintos fechados, em perfeita união e harmonia. Por sinais e por símbolos, eles ensinam as lições da Vida e da Morte, as relações do homem para com Deus e dos homens para com os homens. Estou sempre pronta a acolher os homens que atingindo a idade legal e que sejam possuidores de dotes morais e reputação acima de qualquer reparo, me procuram espontaneamente, pois, não faço proselitismo nem campanhas para angariar adeptos. Eu acolho esses homens e procuro ensiná-los a utilizar meus utensílios de trabalho, todos voltados para construir uma sociedade melhor. Eu ergo os caídos e conforto os doentes. Compadeço-me do choro de um órfão, das lágrimas de uma viúva e da dor dos carentes. Não sou uma Igreja nem um partido político, mas meus filhos têm uma grande soma de responsabilidade para com Deus, para com sua pátria, para com seus vizinhos, para com a comunidade em geral. Não obstante são homens intransigentes na defesa de suas liberdades e de sua consciência. Propago a imortalidade da alma porque acredito ser por demais pequena uma só vida no imenso universo em que vivemos. Enfim, sou uma maneira de viver.

      Eu sou a Maçonaria

Loja São Paulo 43 – Erwin Seignemartin

El Brujo

Gomes   13 de agosto de 2017   Nenhum comentário em El Brujo

Respondi a um belo post de minha querida amiga Elisete lá no meu Facebook e citei Don Juan Matus. Aliás já coloquei no blog, mas acho que foi no antigo, um simples texto que escrevi entitulado O Jovem Casal do Ônibus, onde eu igualmente comento sobre Uma Estranha Realidade.  A seguir, o post que fiz em 2005 no antigo Blog Janela Aberta.

Texto longo, mas de muito proveito para nós que estudamos a dualidade do ser, as experiências extra-sensoriais, doppelgänger. Tive a felicidade de conhecer a obra de Castañeda, juntamente com os relatos tibetanos do Dalai Lama, principalmente das saídas do corpo. Bom proveito para nossos estudos. Fraternos Abraços.
—= G o m e s =—

castaneda_2
Entrevista com Carlos Castaneda publicada em 1975
Fonte: Revista Veja nº356 -1975
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o bruxo, homem só e sem pátria

Após quinze anos de lições, o brasileiro, talvez peruano ou americano, aprendeu a não ter biografia nem raízes.
Desde que começou a relatar em livros seus encontros com Don Juan, que remontam a 1960, Carlos César Arana Castaneda (tem um til em N, mas meu teclado recusa-se a colocar) transformou-se na mais invisível e impalpável personalidade literária da atualidade. Fragmentos incompletos de sua biografia apareceram nas duas únicas publicações a que concedeu entrevista, as revistas Time e Psychology Today, não se deixou fotografar nos últimos dez anos e não se preocupou em esclarecer algumas dúvidas cruciais. Assim, ele teria nascido no interior de São Paulo, no dia de natal de 1935, segundo disse ao Time. Mas, de acordo com a revista, o nascimento de deu dez anos antes numa cidade do Peru.
Comunicado desta descoberta, Castaneda reagiu de maneira impecável para um aprendiz de feiticeiro que aspira apagar sua identidade pessoal: “Estas estatísticas não significam nada. Importante o que nós somos, não o que éramos”. Assim, com essa nacionalidade incerta e com uma idade que caminharia para os 40 ou 50 anos, embora certamente aparentasse menos, os únicos sinas da existência terrestre de Castaneda eram um Volkswagen e duas casas de sua propriedade, na Califórnia. No começo do ano passado, o estudante brasileiro Luiz André Kossobudzki, então bolsista de educação na Universidade da Califórnia (UCLA), encontrou-o num jantar beneficente ao lado de personalidades literárias “normais”, como Irving Stone e Irving Wallace. Quinze meses depois, no fim de março último, recebeu de Castaneda os negativos das fotos que o autor tirara no México, e que VEJA publica junto com esta entrevista exclusiva, à qual o entrevistado impôs a condição de que deveria ser publicada no Brasil antes de qualquer outro país. Kossobudzki recorda os seus encontros:
“Eu, minha mulher e mais quatro casais de bolsistas estrangeiros éramos talvez os únicos convidados ao jantar que não tínhamos os nomes gravados em alguma placa de honra. Tentamos, sem conseguir, um lugar na mesa de Castaneda, mas depois do jantar ele mesmo veio até nós. Disse-lhe logo que não acreditava ser ele brasileiro. Começamos a falar em inglês, mas logo depois ele se dirigiu até nós com lusitana fluência (inclusive sotaque) e afirmou ter nascido no interior do estado de São Paulo, numa cidade do vale do Paraíba, e que passara parte de sua infância em Juqueri* .Combinamos então nos encontrar novamente para uma feijoada, mas Castaneda desapareceu por vários meses. Um telefonema do seu agente literário informou que ele ainda estava interessado em me ver. Finalmente, conversamos três vezes, uma na minha casa e outras duas no campus da UCLA, onde ele trabalha de catorze a dezoito horas diariamente, em suas pesquisas sobre ético-hermenêutica (estudos da interpretação perceptiva de diferentes grupos étnicos). Castaneda aparenta ter 35 anos, 1,70 metros de altura e uns 70 quilos. Fisicamente, passaria por caboclo mato-grossense ou mesmo nordestino”.

*Não existe nenhum município paulista com esse nome. Juqueri, no entanto, é o nome de um estabelecimento para doentes mentais no município de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, que costuma ser confundido com o nome do hospital. Juquiri é o nome antigo do município de Mairiporã, também na Grande São Paulo.Castaneda_1

Aprendendo a viver com a bruxaria

VEJA – Quando se lê sobre Don Juan, tem-se a impressão que ele é um homem pobre e com um vasto conhecimento da vida. O senhor poderia falar de sua surpresa ao encontrá-lo de terno em “Porta para o Infinito”?
CASTANEDA – Tremi de medo, pois estava acostumado a vê-lo somente em roupas de campo. Isto ocorreu na fase final dos ensinamentos e tinha uma razão de ser. Don Juan revelou-me que era proprietário de diversas ações na Bolsa de Valores, e tenho quase certeza que se ele fosse um homem tipicamente ocidental estaria vivendo em um apartamento de cobertura no centro de Nova York. Finalmente aprendi que as duas realidades poderiam ser dividas no que Don Juan denominava tonal (consciente) e nagual (que não se fala). Na realidade do consenso social, o bruxo, o homem de conhecimento, é um perfeito “tonal” – um homem do seu tempo, atual, que usa o mundo da melhor forma possível. Nós usamos história como uma forma de recapturar o mundo passado e planejar para o futuro. Para o bruxo, passado é passado e não existe história pessoal nem coletiva.

VEJA – O principal de seu encontro com Don Juan está escrito no livro “The teachings of Don Juan”(na versão brasileira, a Erva do Diabo”), mas em lugar nenhum existe menção de exatamente onde estiveram. Seria possível uma descrição mais detalhada do local?
CASTANEDA – Na fronteira entre os Estados da Califórnia (Estados Unidos) e Sonora (México) existe uma cidade chamada Nogales. Partindo de Nogales, a rodovia principal passa pela cidade de Hermosillo, capital de Sonora, pela cidade de Guayamas e finalmente cruza a Estácion de Vicam. A oeste da Estação de Vicam, em direção ao Pacífico, encontra-se a cidade de Vicam, habitada em sua maioria por índios yaquis. Vicam é o local onde pela primeira vez encontrei Don Juan. Perto de lá obtive os ensinamentos.

VEJA – Para não tirar a liberdade de Don Juan, até hoje o senhor não havia revelado este local. Como agora se sente livre en descrevê-lo com exatidão?
CASTANEDA – Porque agora ninguém conseguiria achar Don Juan; ele não está mais por lá, e Don Genaro também sumiu das montanhas do México Central (Sierra Madre Ocidental). Não existe jeito nenhum de encontrá-los. Don Juan me mostrou e ensinou tudo o que ele podia e por isso não há necessidade de que ele permaneça à minha disposição. Da mesma forma, você sabe que se quiser me encontrar é só ir até a UCLA, deixar um recado ou me procurar na biblioteca de pesquisas. Mas, se eu deixar de vir à UCLA, você não terá a mínima ideia de onde me encontrar. Como Don Juan, procuro viver como feiticeiro.

VEJA – Muitas pessoas, eu inclusive, encontram dificuldades em aceitar factualmente as descrições dos ensinamentos de Don Juan. O senhor se preocupa com o fato de as pessoas reagirem dessa forma?
CASTANEDA – Não, porque não dou ênfase na importância de minha pessoa. este é um ponto crucial dos ensinamentos que recebi de Don Juan. Raramente converso com alguém, e quando converso é face a face. Nada de gravadores ou fotografias, que trariam peso sobre a minha pessoa. Além de ferir uma das premissas básicas de feitiçaria e bruxaria, eu estaria tolhendo minha própria liberdade. Quando enfatizo a minha pessoa, estou me tachando a mim mesmo, estou colocando nas minhas costas um peso que vai além das minhas possibilidades de carregá-lo. Colocar tal peso nas costas é dar uma enorme importância à minha própria pessoa. Durante os ensinamentos, Don Juan fazia esboços na areia do deserto com o dedão do pé e preenchia os círculos com verbosidade. Ele dizia que “cargase a uno mismo” conduz a pessoa a um senso “importância personal” que combinados não permitem “acciones” por parte da pessoa. Quanto mais peso as pessoas acumulam, mais importantes elas se sentem, e menos ações elas executam.

VEJA – Por que então publicou seus livros?
CASTANEDA – Porque esta era a minha tarefa. O bruxo cumpre tarefas que são colocadas em lugar do peso sobre si mesmo e da importância pessoal. Meu trabalho não é feito de erudição, mas uma recoleção da vida que Don Juan colocou em seus ensinamentos. O bruxo cumpre as tarefas que lhe dão satisfação. Ele as cumpre sem esperar por reconhecimento da sociedade ou coisa que o valha, o que seria o “carregar-se a si mesmo” exercitado pelo erudito, com o objetivo de obter importância pessoal, o que não é meu caso. Por exemplo, se esta entrevista for tomada como um ato de bruxaria, ela se torna uma tarefa a ser cumprida.

VEJA – Esta entrevista, seu trabalho, sua obra, e mesmo o fato de trocarmos idéias por várias horas, tem um efeito que me parece ir além do simples cumprimento de tarefas. Elas lhe trazem satisfação, caso contrário não as faria. Além do mais, o senhor espera que sua mensagem, os ensinamentos de Don Juan, tenham um impacto sobre público. Não seria este o caso de cumprir tarefas e esperar pelo reconhecimento da sociedade?
CASTANEDA – Eu cumpro minhas tarefas tão fluidamente que elas não me afetam em termos de auto-importância, mas sim em termos de como vivo minha vida. Conheço dúzias de “professores” que se colocam numa torre de marfim de conhecimento: eles sabem tudo, e comandam o espetáculo para as galerias; quanto mais aclamados, ou quanto mais reconhecimento eles recebem, mais auto-importantes se sentem, mas esta mesma autoimportância se torna peso, a cruz a ser carregada, e eles como pessoas não são nada. O trabalho as afeta em termos de auto-importãncia, mas não em termos de vida pessoal. A mim o trabalho afeta em termos de vida pessoal, mas não de auto-importância. Don Juan me alertou e aconselhou que nunca me tornasse um pavão, “pavo real”, que é o resultado à ênfase da importância pessoal. Quanto menos a pessoa pensa e “pseudo-age” em termos de autoimportância ela se torna mais completa. E quanto mais auto-importante se sente, mais incompleta se torna. O ser incompleto nasce da incessante procura por reconhecimento social.

VEJA – Mas se a pessoa age, não estaria automaticamente à procura de auto-reconhecimento?
CASTANEDA – Não, se estiver agindo como um bruxo. O bruxo vive a vida por si e para si e não para as galerias. Ele não se deixa influenciar pelas reações de consenso social, pois não age em termos de autoimportância. Ele sabe “parar o mundo”, ou melhor, ele tem a capacidade de “não fazer”.

O “mundo parado”, por um passe de mágica .

VEJA – E que significa “fazer, “não fazer” e “parar o mundo”?
CASTANEDA – O objetivo final do bruxo é se tornar um “homem de conhecimento, mas antes ele tem que aprender a viver como um guerreiro-pirata. Ele tem que ser um impecável caçador à procura de coragem e disciplina. O guerreiro-pirata age por si mesmo, e assume a responsabilidade por suas ações. No processo de me tornar guerreiro-pirata eu encontrei poder pessoal, isto é, o poder da coragem e disciplina. Don Juan me ensinou a enxergar, ver o mundo ao invés de simplesmente olhar. Ele ensinou-me a interpretar o mundo não pelo que se apresenta na superfície, mas pela essência. Porém, antes poder enxergar e interpretar o mundo como um guerreiro-pirata, como um bruxo, tive que aprender como “não fazer”, como “parar o mundo”. Como você pode notar, é quase que uma taxinomia de tarefas. Para se ter o entendimento de “não fazer” é necessário explicar o significado de “fazer”. “Fazer” é o consenso que torna o mundo existente. O mundo da nossa realidade é realidade porque estamos envolvidos no “fazer” dessa realidade. As pessoas nascem com uma auréola de força, poder, que se desenvolve e se entrelaça com o consenso dominante. As pessoas olham o mundo da forma como lhe foi ditada, com os olhos do consenso dominante. Por outro lado, “não fazer” é possível quando uma auréola extra de poder se desenvolve para formar a existência da realidade de um outro mundo. O guerreiro-pirata não escapa do “fazer” do mundo, mas luta dentro desta realidade, a realidade do consenso dominante. o que o auxilia na criação da auréola extra de poder. O ato de “não fazer” conduz ao “parar o mundo”, que é o primeiro passo para “enxergar”. O mundo da realidade ordinária, do dia-a-dia, nos parece do jeito que é por causa do consenso social. “Parar o mundo” significa interromper a corrente comum de interpretação do mundo, do consenso dominante, ou em outras palavras, parar o consenso é enxergar o mundo como bruxo, numa realidade não-ordinária. “Parar o mundo” é viver num espaço temporal mágico, enquanto que viver na realidade do consenso é viver num espaço temporal ordinário.

VEJA – Um bruxo é um pragmático, e o senhor mesmo se rotula assim. Qual seria a aplicação prática de “fazer”, “não fazer” e “parar o mundo”?
CASTANEDA – Você fuma desbragadamente, como um desesperado. Eu fumava como você, e cheguei a fumar quatro maços de cigarros por dia, até que Don Juan sugeriu que eu usasse a minha compulsão para parar de fumar. Eu deveria ficar envolvido no “não fazer” de fumar. Para isso eu teria que observar o fazer de fumar. Comecei então a observar o “fazer” de levantar pela manhã e procurar imediatamente meus cigarros, o “fazer” de colocá-los no bolso, o “fazer” de apalpar o bolso da minha camisa com minha mão esquerda para ter certeza de que os cigarros lá estavam. O lugar do cigarro, o fumar de dois deles no caminho da universidade, e assim por diante, constituíam o meu “fazer” de fumar. Como eu, você pode observar o que constitui o seu “fazer” de fumar. Uma medida sistemática de fazer leva a pessoa a não executar os detalhes do ato de fumar. Para “parar o mundo” de fumar a pessoa tem que aprender a compulsivamente dizer não para o “fazer” de fumar. 1 Este exemplo é grosseiramente uma aplicação dos ensinamentos, pois eu parei de fumar logo nos primeiros contatos com Don Juan, mas somente consegui “parar o mundo” da realidade ordinária depois de dez anos. A partir deste ponto Don Juan deixou de usar plantas alucinógenas como parte dos ensinamentos.

Guias para se acabar com o bom senso

VEJA – O senhor não fuma, não bebe e evita até café. Como então vê o uso de drogas como parte dos ensinamentos de Don Juan?
CASTANEDA – Don Juan usou psicotrópicos e plantas alucinógenas como um auxílio aos ensinamentos. Uma vez atingido o objetivo, estes veículos se tornaram desnecessários. As drogas são maléficas para o corpo, e não tem nenhum defeito além de uma certa qualidade que o bruxo necessita.

VEJA – De que modo as drogas serviam de instrumento auxiliar aos ensinamentos de Don Juan?
CASTANEDA – O mundo como nós o vemos é apenas uma descrição, e cada item da descrição é uma unidade, o que eu chamo de “gloss” (aparência externa”) Uma árvore é um gloss, um quarto ou uma sala são glosses. Nós colocamos significado ao gloss-quarto como sento a reunião de pequenos glosses – cama, cadeira, camiseira, armário. A realidade do consenso é formada por uma corrente infinita de glosses, os quais, por sua vez são formados e interligados por pequenos glosses. Esta corrente forma, na nossa realidade, um sentido comum, isto é, esta corrente de glosses tem que fluir em uma direção pré-concebida que nós chamamos com senso ou sentido comum. Para quebrar ou interromper a corrente, o bruxo usa drogas que criam um espaço vazio na corrente, implantando uma nova direção, a direção do sentido comum ou do bom senso da realidade não ordinária (realidade da bruxaria). Sentido comum e bom senso estão diretamente ligados ao nosso corpo. Com o uso de drogas, há uma interrupção no bom senso e abertura de uma nova direção, e essa nova direção só pode ser encontrada com um guia (bruxo), pois de outra forma o uso de tais drogas é sem valor. O homem geralmente tem a idéia de gozar a vida através dos vícios. Um viciado é uma criança profissional. Interromper a corrente de glosses, parar o mundo, com o uso de drogas só pelo prazer de interromper, só pode causar dano, além de ser uma brincadeira cujo preço é caro. Uma vez que o corpo aprendeu a interromper a corrente, não há mais necessidade de auxílio para tal interrupção. A pessoa interrompe pela própria vontade.

Uma estranha psicoterapia: sentir-se morto

VEJA – Acha que o processo de interrupção voluntária da corrente do “bom senso” seria eficaz se aplicado à psicoterapia?
CASTANEDA – O sucesso de Don Juan como psicoterapeuta é impressionante. Ele me fez cônscio de que era uma criança profissional, que eu estava colocando muito peso sobre mim mesmo, enfatizando minha importância de pessoal, e não transformando em ações minhas fantasias. Ele me ensinou a viver para o agora, a encarar a minha morte como um fato inevitável e existente em minha vida. O conceito de morte deve ser encarado como uma realidade. Don Juan me ensinou que, se eu me considerasse como morto, nenhuma das minhas ações teria importância pessoal, e com isso eu poderia mudar, ou mudanças poderiam ser feitas e tarefas serem cumpridas. O fato inevitável de morte é muito mórbido para o homem ocidental, e em conseqüência o Ocidente procura interação social com o objetivo de ajustamento ao “bom senso”.

VEJA – Seria correto dizer que a pessoa, em nossa realidade rotulada de psicótica, para Don Juan seria apenas a pessoa que acidentalmente interrompeu a corrente do “bom senso” e não conseguiu fazer esta corrente?
CASTANEDA – Correto. O bruxo quebra a corrente do bom senso por vontade própria. não é uma coisa acidental. Nas primeiras experiências tenho quase certeza que sem um guia teria perdido o contato com a realidade do consenso; em outras palavras, eu não seria capaz de encontrar o caminho de volta a essa realidade. O guia orienta o aprendiz a sair da realidade do consenso e a entrar na estranha realidade da bruxaria, bem como sair daquela estranha realidade e voltar a realidade do consenso. Este exercício é repetido até que o aprendiz adquira o domínio da sua própria vontade. Para o psicótico, o exercício sobre a direção de um psicólogo clínico ou de um psiquiatra resume-se a retornar à realidade do consenso, e a permanecer conformado. O bruxo, além de guia, é o modelo de “homem do conhecimento”. Para Don Juan, qualquer mudança somente é possível se a pessoa praticar seus próprio ensinamentos. Novamente a filosofia “eu faço o que eu digo” prevalece.

VEJA – “Porta para o Infinito” menciona o uso de sonhos como um exercício no domínio e controle da própria vontade. Seria este controle da mesma natureza do domínio da própria vontade ao que o senhor acaba de se referir?
CASTANEDA – Eu menciono neste livro os diversos exercícios para controle dos sonhos, ou seja, para que a pessoa possa colocar os sonhos a seu serviço e sonhar produtivamente. Este sonhos requerem o mesmo domínio da vontade que é necessário para sair e voltar à realidade ordinária. Sonhos para um bruxo não são simbólicos, mas frutos do controle que adquire através dos ensinamentos. Ele dorme sonhando sonhos produtivos, como que uma continuação do dia a dia, ao invés de sonhar sonhos ordinários comuns, e sem controle. Aos poucos, uma pessoa consegue se disciplinar, a ponto de, sonhando, ser capaz de ver a sua própria imagem dormindo a sonhar. O caso extremo deste controle pode ser exemplificado pelo que Don Genaro afirma ser capaz – materialização de uma duplicada da sua própria pessoa. Com o controle dos sonhos a pessoa pode aumentar a sua capacidade de ação. Todas essas realidades não exploráveis da realidade do consenso formam um todo – o “homem de conhecimento”.

VEJA – O senhor acha que nós exploramos e usamos apenas parcialmente o nosso potencial por razões inerentes à nossa educação formal?
CASTANEDA – A educação formal e informal do homem ocidental não dá margem a nada estranho ou diferente do consenso social. O que é fora da norma do nosso bom senso é considerado anormalidade. Também falta ênfase na noção de responsabilidade para consigo mesmo: não falamos suficientemente da responsabilidade para as nossas crianças,e por esta razão poucos deixam de ser crianças, e vivem a vida como crianças-profissionais. Explicando melhor: a criança profissional é a pessoa que precisa de carinho e é recompensada por meio de atenção dispensada a sua pessoa. Ela é auto.importante, um eterno infant terible. Queria deixar de uma vez por todas de ser criança, mas eu era muito querido por mim mesmo, e sempre tinha uma desculpa para que continuasse alimentando minha auto-importância. Não fazia nada, não produzia nada, ações eram abafadas pelos meus planos e decisões, e pelo meu senso de importância pessoal. Até que aprendi com Don Juan a deixar de ser criança profissional e me tornei guerreiro-pirata.. Ficar sentado, esperando que me dessem tudo ou sonhando acordado com a glória da minha auto-importância, não me trouxe nada. Eu tive que ir procurar coragem e disciplina.

De criança profissional a guerreiro-pirata
VEJA – O senhor vive como um bruxo, isto é, uma vida de anonimato, enquanto o seu trabalho é público e de muito sucesso. Qual é a satisfação pessoal que resulta deste aparente antagonismo entre autor e pessoa?

CASTANEDA – Minha satisfação vem de escrever impecavelmente e de apresentar minha pessoa à luz da verdade. Eu realmente não vejo antagonismo, pois minha vida pessoal é um reflexo da minha obra. Novamente afirmo que faço aquilo que digo, pratico aquilo que prego. E uma vez que sou honesto comigo mesmo, não me importa o que e como a galeria pensa ou reage. Desta forma, sou livre dos altos e baixos. Veja o exemplo de Tinothy Leary, o guru do ácido lisérgico. Ele é um exemplo típico de excesso de auto-importância. Lá pelas tantas o peso se tornou demasiado e ele teve que pagar o preço extremo. Muitos são os escritores que pregam mas não seguem a própria pregação, muitas são as pessoas que promovem um corpo forte e uma mente sadia, mas acabam destruindo gradativamente o próprio corpo e mente. Don Juan era o modelo que fazia e praticava tudo aquilo que era colocado como tarefa para mim, durante todos os anos da aprendizagem.

VEJA – O senhor mencionou o modelo de Don Juan, mas foi também exposto a um outro modelo: o consenso social. Como alia esses modelos em sua vida?
CASTANEDA – O modelo de Don Juan me deu os parâmetros de uma realidade diferente da do consenso social. Outro modelo me conduzia ao eterno enfant terrible. Ao longo dos ensinamentos, abandonei este último. Um modelo me conduzia à criança profissional, e outro ao verdadeiro guerreiro-pirata. Quando a pessoa tira o senso de auto-importância o senso de auto-importância do seu caminho e toma a consciência de que o homem que puxa a corda e trama os pauzinhos é tão humano quanto eu ou você, ela pode atingir aquilo que quiser. A pessoa pode ser ultra-inteligente e cheia de recursos, mas se somente espera que as coias lhe venham às mãos, quando não é atendida pelo mundo cai num estado de ódio, remorso e medo. O guerreiro-pirata não tem medo, ele não espera que as coisas venham até ele. Ele age, cumpre suas tarefas, e ao mesmo tempo não se preocupa com as conseqüências.

Notas
1 Em uma entrevista mais recente, concedida a Carmina Fort, Castaneda relata que Don Juan, para fazê-lo parar de fumar, certa vez levou ao deserto, avisando que iam passar lá vários dias. Castaneda fez um estoque de cigarros, com várias caixas embrulhadas. Enquanto dormiam, os cigarros sumiram. Castaneda, desesperado, procurava uma explicação. Don Juan disse que talvez tivesse sido os lobos. Rondaram as habitações próximas mas não acharam nada para Castaneda fumar. Esse acontecimento foi decisivo para ele largar o mau-hábito (nota do redator)


Bonus – Frase de Don Juan Matus:

A autoconfiança do guerreiro não é a mesma que a do homem comum. Este busca a certeza aos olhos do espectador e chama a isso autoconfiança. O guerreiro busca a impecabilidade a seus próprios olhos e chama a isso humildade. O homem comum está agarrado a seus semelhantes, enquanto o guerreiro só se agarra a si mesmo. Talvez você esteja perseguindo uma quimera. Busca a autoconfiança do homem comum, enquanto devia estar atrás da humildade do guerreiro. A diferença, entre os dois é notável. A confiança em si significa saber algo com certeza; a humildade significa ser impecável em suas ações e sentimentos.

Não importa o que se revela e o que se guarda para si. Tudo o que fazemos, tudo o que somos, reside em nosso poder pessoal. Se temos o suficiente, uma palavra que nos for pronunciada pode ser suficiente para mudar o rumo de nossas vidas. Mas, se não tivermos suficiente poder pessoal, o fato de sabedoria mais magnífico nos poderá ser revelado sem que tal revelação faça a menor diferença.

Cada guerreiro tem seu modo próprio de sonhar. Cada modo é diferente. A única coisa que todos temos em comum é que fazemos truques para nos obrigar a abandonar a busca. O antídoto é insistir, apesar de todos os obstáculos e desapontamentos.

Se quisermos ter êxito em alguma coisa, o sucesso deve chegar devagar, com muito esforço, mas sem tensões nem obsessão.

Um guerreiro aceita seu destino, seja qual for, e o aceita na mais total humildade. Aceita com humildade aquilo que ele é, não como fonte de pesar, mas como um desafio vivo. É preciso tempo para cada um de nós compreender este ponto e vivê-lo plenamente. Eu, por exemplo, detestava a simples menção à palavra humildade. Sou índio, e nós índios sempre fomos humildes e nunca fizemos outra coisa senão curvar a cabeça. Pensei que a humildade não fazia parte da vida de um guerreiro. Mas estava enganado. Hoje sei que a humildade do guerreiro não é a humildade de um mendigo. O guerreiro não curva a cabeça para ninguém, mas ao mesmo tempo não permite que ninguém curve a cabeça para ele. O mendigo, ao contrário, prostra-se de joelhos por qualquer coisa e lambe as botas de quem quer que ele considera superior, mas, ao mesmo tempo exige que alguém que ele considera inferior lhe lamba as botas. Foi por isto que eu lhe disse que eu não sabia como se sentiam os mestres. Só conheço a humildade do guerreiro e isto nunca permitirá que eu seja mestre de alguém. Você gosta da humildade de um mendigo. Curva a cabeça diante da razão.

A liberdade é dispendiosa, mas o preço não é impossível.

Nós todos passamos pelas mesmas funções. O único jeito de vencê-las é persistir em agir como guerreiro. O resto vem sozinho e por si. O resto é o conhecimento e o poder. Os homens de conhecimento possuem ambos. No entanto, nenhum deles poderia dizer como os adquirira, a não ser que continuou a agir como guerreiro e, num dado momento, tudo se modificou.

Um guerreiro deve ficar calmo e controlado e nunca deve perder o pulso.

Eis o defeito das palavras. Sempre nos obrigam a sentir-nos esclarecidos, mas, quando nos viramos para enfrentar o mundo, elas sempre nos falham e terminamos enfrentando o mundo como sempre o fizemos, sem esclarecimento. Por este motivo, o feiticeiro procura agir em vez de falar e para isso ele consegue uma nova descrição do mundo: uma nova descrição em que falar não é assim tão importante, e em que novos atos têm novos reflexos.

Um guerreiro começa com a certeza de que seu espírito está desequilibrado; aí, vivendo num controle e consciência completos, mas sem pressa nem compulsão, ele faz o máximo para conseguir esse equilíbrio.

Não fique nervoso. Nada há neste mundo que um guerreiro não possa enfrentar. Entenda: um guerreiro já se considera morto, de modo que nada tem a perder. O pior já lhe aconteceu, e portanto ele está lúcido e calmo. A julgá-lo por seus atos ou suas palavras, nunca se suspeitaria de que ele tenha presenciado tudo.

Sempre que o diálogo interno pára, o mundo entra em colapso, e facetas extraordinárias de nossos seres emergem, como se tivessem sido mantidas numa guarda severa por nossas palavras. Você é o que é porque diz a si mesmo que é assim.

 

You’re not You.

Gomes   12 de agosto de 2017   Nenhum comentário em You’re not You.

Assisti este filme ontem na Netflix, You’re not You que recebeu o ridículo nome de Um Momento Pode Mudar Tudo.  Mas apesar desta imbecilidade, o filme é ótimo.  Não vou dar uma de durão e falar que passou batido.  Não, eu me emocionei e muito. Lembrei da minha gatinha, a Lúcia.  Passei muitos momentos com ela doente, dei banho e tudo mais.  Levantava ela, levava ao banheiro.  Então o filme me emocionou às lágrimas.  Estou gostando de uma outra gatinha, mas não vai ser nada mais que isso.  É possível amar duas pessoas?  Amo a Lúcia de uma outra forma agora, e amo agora outra gatinha, por coincidência também advogada e também paulistana.

Mas o filme You’re not You, é o que fala o título, Você não é Você, Eu não Sou Eu, não somos nada, somos espíritos dentro de um corpo vivendo como se este corpo fosse imortal, mas apenas o espírito o é. Não somos nada, de hora a outra a velha chama se apaga e voltamos ao Criador de Todos os Mundos, o Grande Arquiteto do Universo, Jeová Sabaoth.   Porque dele somos o Espírito, o ruach, e para ele voltaremos, sendo novamente UM.   Hora a outra tudo acaba, lembro da Lúcia passando pela última vez pelo escritório, olhou atentamente, tudo ficou para trás, clientes e amigos, petições, defesas, processos sem fim.  As adoradas canetas, eu dei umas quatro para ela, e tenho duas comigo.  Fichário tratado com carinho.  Nada tem valor, a casa, marido e filho, irmã.  Nada mais importa, porque ela se foi.  E este é o filme, assisti um com os olhos do corpo caindo lágrimas e vi o meu próprio filme com a Lúcia com os olhos espirituais e minha alma chorou copiosamente.

L’ Chain, Maria Lúcia.  L’ Chain.  Porque a vida é curta, ergo um brinde À VIDA! e daqui para frente, mesmo aos 61 anos, vou viver intensamente, custe o que custar.

L’ Chain, Gomes.      Voe Gomes, Voe.

Deu por hoje

Gomes   2 de agosto de 2017   Nenhum comentário em Deu por hoje

2017-08-02/22:14. Finda meu dia, silêncio absurdo na Caverna, preparei chá quentinho e tenho um sonho de nata e duas empadas de palmito (uma na foto) Não quis virar as páginas do bujo para o dia de hoje, deixei no calendário de agosto. Silêncio e Solidão na Caverna do Dragão e eu, o Mestre dos Magos (dos peludinhos) estou aqui financeiramente sobrevivendo, mas fazendo as maravilhosas mágicas de Viver com momentos de felicidade. Trabalhando nos projetos de www.saladevendas.com.br fazendo comidas gostosas e comendo, o que é melhor. Cardápio do almoço de amanhã, Pierogi (está aqui, no post anterior). Tenho dito.

Este post surgiu inicialmente no meu INSTAGRAM: https://www.instagram.com/p/BXUB_ELABfD/?taken-by=corretores.aguia

Hoje atualizei também a página SOBRE MIM

Pierogi ou Varênike

IMG_20170726_184847_206Receita de minha mãe, D. Leonor. Hummmmn delícia.
Pierogi (leia pirógui) para os poloneses ou Varênike (leia Varênique) para os judeus (e descendentes claro, como eu de polacos por parte de mãe), é a mesma coisa. Inúmeras variações de receita, mas a polaca tem recheio de batatas, ricota ou requeijão frescos, cebolinha um ovo e sal. Acertei a receita, primeira vez que faço sozinho. A receita é para amanhã mas não resisti e cozinhei três, sim, na receita tradicional, seja polaca ou judaica, os pasteizinhos são cozidos.

Estou fazendo pierogis hoje… Porque deu vontade, porque hoje é quarta é porque sim. Pronto. Na segunda guerra mundial era comida barata e que sustenta, e pela falta de recursos, é um alimento delicioso que amo de paixão e que eu posso fazer com pouquíssimo dinheiro.
www.janelaaberta.blog.br

Sorvendo alegremente meu amargo, na minha cuia uruguaia e fazendo pierogis.  Eita mundão.

Mais uma da Cecília

Ei, gatinha (não te esqueço) esta é para você…. e para mim. É mais uma da Cecília.

“Perdoa-me, folha seca, não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo, e até do amor me perdi.
Tu és folha de outono voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade – a melhor parte de mim.

Cecília Meireles”

Homem ruminante?

Gomes   16 de julho de 2017   Nenhum comentário em Homem ruminante?

Pois então, a erva está na cuia, na minha especial cuia uruguaia, água agora coloquei ao fogo, e estou cá “ruminando” alguns pensamentos.  Sim, porque fiquei pensando, porque a flor roxa nasce no coração do trouxa.  Por quê se ama?  Não podemos amar o cabelo, me desculpem os que gostam mas não se ama o pé, não se ama a roupa, não se ama a altura ou o peso.  E ama o que?  o Ser dentro do corpo, é isso que amamos.  O corpo é apenas paixão.  Vcs sabem que paixão é passageira.   Mas amamos primeiramente a Deus e a nós mesmos, porque se não se ama, ninguém pode amar outra pessoa.   Fico aqui, “ruminando”, ou melhor dizendo, divagando em meus pensamentos. Quem rumina é o gado no pasto, eu Cogito Ergo Sum.  Pensando em pessoas que irão passar a vida, vivendo uma vida que não é sua, atreladas às vidas de outras pessoas, ou porque foram mal-amadas, ou porque não podem expressar sentimentos, não conseguem dialogar, e vão ter ideia falsa de felicidade, não serão, portanto, felizes.  Não, não estou dizendo que para ser feliz precisa amar e ter outras pessoas, podemos ser felizes sozinhos, com um amor retribuído da pessoa amada, mas muitas pessoas são infelizes no meio de multidões, mas como falei, vivendo a vida destes outras pessoas, não a sua.

E descobri que posso ser feliz sozinho, claro, acompanhado seria muito melhor, mas com reciprocidade.  Já fui muito amado e só não sou ainda e muito amando, porque a Vida dela resolveu mudar de lugar, e voltou para Deus.  Tenho esperado outra pessoa para viver uma vida de amor comigo, mas enquanto espero, vou fazendo a segunda coisa boa da vida. Comer.

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Comer coisas gostosas, nem que eu mesmo tenha que fazer.  Fiz pierogi (pastel polonês cozido, leia como pirógui), aprendi a fazer gyoza (leia guioza para o prato japonês ou jiaozi para o prato chines, que é o original), e hoje abusei, fiz e comi pastéis de carne muito bem temperada, fiz sagu de vinho com cravos e fiz mousse de limão (foto).  Tenho caprichado nos pratos, e é uma terapia, um hobby cozinhar (caro, de certa forma e ‘en passant’, porque cada dia é algo diferente).

Pois então, caros visitante que preferem me enviar e-mail do que comentar no próprio blog, é isso, é a vida.  Ah, lembrei de uma música que amo de paixão, C’est bon la vie, (de Paul Simon, na voz cristaliza e angelical de Nana Mouskouri).  C’est bon la vie.  E para uma pessoa especial, com muito amor, mas que não lerá isso,  HAPPY TOGETHER.

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Pois é, bem dito, Pablo Neruda.


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BLOG JANELA ABERTA

O Blog Janela Aberta é gentilmente hospedado por Hostinger clique aqui para saber mais

Imóvel, por que não?

Então, porque não IMÓVEL, sim sou Corretor de Imóveis.   É necessário trabalho, que vou colocar pela primeira vez aqui no BLOG JANELA ABERTA, afinal o Filho do Arquiteto, o Estudante R+C, o Martinista, o espiritualista, o Kadosh, o Yokoshi, enfim eu, eu mesmo, sou Corretor de Imóveis.  E meu leitor, ou leitora, que quiser comprar imóvel, ou souber quem quer comprar, pode me ajudar, me indicando.  Pode me ajudar, mais uma vez estou aqui com o Pires na Mão que embora pouco que seja, pode me ajudar muito.

Então vamos falar de alguns imóveis que estou trabalhando desde que voltei de São Paulo, inúmeras reuniões, e a que motivou este trabalho, foi a reunião com meu amigo Funaro ( clique no nome, siga este link e conheça meu amigo Funaro) e meu “gerentão” Cícero, que está patrocinando meus sites.  O empreendimento é o NEW CITY PIRITUBA, claro no bairro Pirituba, em São Paulo. Terreno imenso, enorme área arborizada, projeto muito bom, se vc clicar no nome vai direto para a minha página SALA DE VENDAS e fazer contato.  Este é pelo Sistema MINHA CASA MINHA VIDA.   Mas tenho também, médio e alto padrão, e este aqui CURITIBA 381,  clique no nome para ir direto à página em SALA DE VENDAS, é altíssimo padrão, sem Falsa Modéstia, THIS IS THE BEST, FOR THE FEW. Único, na Rua Curitiba, 381 Ibirapuera, São Paulo Capital, apenas com visita marcada com este Corretor. 21 milhões e alguma coisa. ÚNICO, REQUINTE E SOFISTICAÇÃO. Ligue agora, no telefone 11-98283-1439, vai falar com o Funaro, mas avisa que veio do Blog Janela Aberta, do Gomes.  Este é UNICO e IMPERDÍVEL, não há nada igual na Cidade de São Paulo.

Então é isso, sou Corretor de Imóveis, com muito orgulho.  Já ganhei muito dinheiro nesta profissão, sempre fui engajado, trabalhando com afinco.  Com o falecimento da Lúcia, todos sabem que pirei, parei de trabalhar, vendi automóvel, gastei o que tinha e o que não tinha, primeiro com ela, depois para manter-me recluso na Caverna, sem trabalhar, sem vontade de fazer nada.  Claro que não meu amor por ela nunca passará, mas agora amenizou, já estou centrado novamente, e aqui em P.O., seguindo aos objetivos, a la chasse.  Contem comigo.

GomesObreiro-saladevendas

Post Scriptum, os meus amigos, me enviam e-mail, mas preciso que as pessoas deixem saber que passaram por aqui, eu não revelarei seus dados, só divulgo que teve comentário, então por favor, comentem, cliquem no botão e me deixem saber que estiveram por aqui. Grato

Ah, o Amor

Gomes   10 de julho de 2017   Nenhum comentário em Ah, o Amor

Depois da Lúcia, não acho que venha a conviver com outra mulher.  Pois é.  O jeito mesmo é sossegar de vez, a idade nos faz andar mais devagar, temos menos ambição, temos mais rumo (e sempre o prumo).

Andei escrevendo no Recanto das Letras tem alguns textos meus, mas este é o mais recente http://www.recantodasletras.com.br/trovas/6035377

E a saudade da Lúcia, o que aconteceu? A u m e n t o u…  sim aumentou.  O homem pode ter muitos amores, mas só um será o maior, o absoluto.   Muito amei e muito fui amado, isto é certo.  Unha e carne, feijão com arroz…  fomos eu e Lúcia.

Depressão?  Não não, isso passou, jamais vou esquece-la, mas sofrer amenizou.

Miosotis

Gomes   20 de maio de 2017   Nenhum comentário em Miosotis

Flor Miosótis significa recordação, fidelidade e amor verdadeiro.

É também conhecida como “Não-me-esqueças”.

A flor miosótis pode apresentar mais de 50 variedades e por algumas pessoas também é conhecida como Verônica. Também simboliza a caridade e a fraternidade.

Recebi dois e-mails pedindo para colocar o post completo aqui, mas como eu não tinha uma referência, decidi pegar o post do Blog Teoria da Conspiração, que segue:

No início de 1934, logo após a ascensão de Adolf Hitler ao poder, ficou claro que a maçonaria alemã corria o risco de desaparecer.

E breve, a maçonaria alemã, que conhecera dias gloriosos e que tivera, em suas colunas, os mais ilustres filhos da pátria alemã, com Goethe, Schiller e Lessingn, veria esmagado o espírito da liberdade sob o pretexto de impor a ordem e uma supremacia racial.

Quanto retrocesso desde que Friedrich Wilhelm III, Rei da Prússia, em 1822, impediu que os esbirros reacionários da Santa Aliança de Metternich fechassem as Lojas Maçônicas, declarando peremptoriamente que poderia descrever os Franco-Maçons prussianos, com toda a honestidade, como sendo os melhores dentre os seus súditos… (1)

As Lojas alemãs, na terceira década do século XX, estavam jurisdicionadas a onze Grande Lojas, divididas em duas tendências.

O primeiro grupo, de tendência humanista, seguindo os antigos costumes ingleses, tinha como base a tolerância, valorizando o candidato por seus méritos e não levando em consideração sua crença religiosa.

Constava de sete Grandes Lojas, a saber: Grande Loja de Hamburgo; Grande Loja Nacional da Saxônia, em Dresden: Grande Loja do Sol, de Bayreuth; Grande Loja-Mãe da União Eclética dos Franco-Maçons, em Frankfurt; Grande Loja Concórdia, em Darmstadt; Grande Loja Corrente Fraternal Alemã, em Leipzig; e, finalmente, a Grande Loja Simbólica da Alemanha.

O segundo grupo consistia das três antigas Lojas prussianas, que faziam a exigência de que os candidatos fossem cristãos. Havia ainda a Grande Loja União Maçônica do Sol Nascente, não considerada regular, mas que também tinha tendências humanistas e pacifistas.

Voltando a 1934, a Grande Loja Alemã do Sol se deu conta do grave perigo que iria enfrentar. Inevitavelmente, os maçons alemães estavam partindo para a clandestinidade, devido à radicalização política e ao nacionalismo exacerbado. Muitos adormeceram e alguns romperam com a tradição, formando uma espúria Franco-Maçonaria Nacional Alemã Cristã, sem qualquer conexão com o restante da Franco-Maçonaria. Declaravam eles abandonarem a idéia da universalidade maçônica e rejeitar a ideologia pacifista, que consideravam como demonstração de fraqueza e como uma degeneração fisiológica contrária aos interesses do estado!

Os maçons que persistiram em seus ideais precisaram encontrar um novo meio de identificação que não o óbvio Compasso & Esquadro, seguramente um risco de vida.

Há uma pequenina flor azul que é conhecida, em muitos idiomas, pela mesma expressão: não-me-esqueças – o miosótis. Entenderam, nossos irmãos alemães, que esse novo emblema não atrairia a atenção dos nazistas, então a ponto de fechar-lhes as Lojas e confiscar-lhes as propriedades.

Miosótis

Vergissmeinnicht, em alemão; forget-me-not, em inglês; forglemmigef em dinamarquês; ne m’oubliez pás, em francês; non-ti-scordar-di-me, em italiano; não-te-esqueças-de-mim, em português. Diz a lenda que Deus assim chamou a florzinha porque ela não conseguia recorda-se do próprio nome. O nome miosótis (Myosotis palustris) significa orelha de camundongo, por causa do formato das pétalas.

O folclore europeu atribui poderes mágicos ao miosótis, como o de abrir as portas invisíveis dos tesouros do mundo. O tamanho reduzido das flores parece sugerir que a humildade e a união estão acima dos interesses materiais, porque é notada principalmente quando, em conjunto, forma buquês no jardim.

De acordo com uma velha tradição romântica alemã, o nome da flor está relacionado às últimas palavras de um cavaleiro errante que, ao tentar alcançar a flor para sua dama, caíra no rio, com sua pesada armadura e afogara-se.

Outra história diz que Adão, ao dar nomes às plantas do Jardim do Éden, não viu a pequena flor azul. Mais tarde, percorrendo o jardim para saber se os nomes tinham sido aceitos, chamou-as pelo nome. Elas curvaram-se cortesmente e sussurravam sua aprovação. Mas uma voz delicada a seus pés perguntou: “- E eu, Adão, qual o meu nome?” Impressionada com a beleza singela da flor e para compensar seu esquecimento, Adão falou: “ – Como eu me esqueci de você antes, digo que vou chamá-la de modo a nunca mais esquecê-la. Seu nome será não-te-esqueças-de-mim.”

MAÇONARIA

Através de todo o período negro do nazismo, a pequenina flor azul identificava um Irmão. Nas cidades e até mesmo nos campos de concentração, o miosótis adornava a lapela daqueles que se recusavam a permitir que a Luz se extinguisse. (2)

O miosótis como símbolo foi objeto de um interessante estudo do irmão David G. Boyd, no Philaletes de abril de 1987. Ele conta, também, que muitos maçons recolheram e guardaram zelosamente jóias, paramentos e registros das Lojas, na esperança de dias melhores. O irmão Rudolf Martin Kaiser, VM da Loja Leopold zur Treue, de Karlsruhe, quebrou a jóia do Venerável Mestre em pequenos pedaços de tal modo que não pudesse ser reconhecida pela infame Gestapo.

Em 1945, o nazismo, com seu credo de ódio, preconceito e opressão, que exterminara, entre outros, também muitos maçons, era atirado no lixo da História. Nas fileiras vitoriosas que ajudaram a derrotá-lo, estavam muitos maçons – ingleses, americanos, franceses, dinamarqueses, tchecos, poloneses, australianos, canadenses, neozelandeses e brasileiros. De monarcas, presidentes e comandantes aos mais humildes pracinhas.

Mas, entre os alemães, alguns velhos maçons também sobreviveram, seu sofrimento ajudando a redimir, de alguma forma, a memória da histeria coletiva nazista. Eles eram o penhor da consciência alemã, a demonstração de que a velha chama da civilização alemã continuara, embora com luz tênue, a brilhar durante a barbárie.

Em 14 de junho de 1954, a Grande Loja O Sol (Zur Sonne) foi reaberta, em Bayreuth, sob um ilustre irmão o Dr. Theo Vogel, núcleo da Grande Loja Unida da Alemanha (VGLvD, AF&AM). Nesse momento, o miosótis foi aprovado como emblema oficial da primeira convenção anual, realizada por aqueles que conseguiram sobreviver aos anos amargos do obscurantismo. Nessa convenção, a flor foi adotada, oficialmente, como um emblema Maçônico, em honra àqueles valentes Irmãos que enfrentaram circunstâncias tão adversas.

Certamente, na platéia, estava o Venerável Mestre da Loja Leopold ZurTreue, agora nº 151, ostentando orgulhoso sua jóia recuperada e reconstituída, suas emendas de solda constituindo-se num testemunho mudo e comovente da história.

Finalmente, para coroar, quando Grão-Mestres de todo o mundo encontraram-se nos Estados Unidos, o Grão-Mestre da recém formada Grande Loja Unida da Alemanha (3) presenteou a todos os representantes das Grandes Jurisdições ali presente com um pequeno miosótis para colocar na lapela.

O miosótis também é associado com as forças britânicas que serviram na Alemanha, em especial na região do Rio Reno, logo após a guerra. Há uma Loja, jurisdicionada à Grande Loja Unida da Inglaterra, a Forget-me-not Lodge nº9035, Ludgershall, Wiltshire, que adotou a flor como emblema. Foi formada especialmente para receber os militares ingleses que retornavam do serviço na Alemanha.

Foi assim que essa mimosa florzinha azul, tão despretensiosa, transformou-se num significativo emblema da Fraternidade – talvez hoje o mais usado pelos maçons alemães.

Ainda hoje, na maioria das Lojas germânicas, o alfinete de lapela com o miosótis é dado aos novos Mestres, ocasião em que se explica o seu significado para que se perpetue uma história de honra e amor frente à adversidade, um exemplo para as futuras gerações Maçônicas de todas as nações.

1. Eugen Lennhoff, Die Freimaurer – The Freemasons, Lewis Masonic, edição em inglês, revisada, 1994.

2. O uso do miosótis como identificação secreta pelos Maçons alemães foi contestado no Square Magazine de setembro de 1988 pelo irmão Cyril Batham, Past Master da Loja Quatuor Coronati nº 2076, mas, em que pese toda a autoridade do irmão Batham, ele apenas negou a autenticidade da história, sem, entretanto, apresentar os motivos da negativa. Além disso, há anos que a casa Ian Alan Regalia, especializada em paramentos maçônicos, exibe o miosótis em gravatas, alfinetes de lapela e pendentes, em prata, ouro e bijuteria. Por que o fariam, se o miosótis não fosse importante?

3. Na formação da Grande Loja unida da Alemanha aparecem 3 das Grandes Lojas existentes antes da II Guerra Mundial: Grande Loja do Sol, em Bayreuth; Grande Loja de Hamburgo; Grande Loja de Hesse, em Frankfurt (antiga União Eclética); Grande Loja de Bremen; Grande Loja Unidade, em Baden-Baden; Grande Loja Nacional de Niedercachse, em Hanover; Grande Loja Nacional de Nordrhein-Westfalen, em Dusseldorf; Grande Loja Nacional de Schleswing-Holstein, em Luberck; e Grande Loja de Wurttemberg-Baden, em Stuttgart. De acordo com o List of Lodges, em 2001 contava com 14.000 irmãos distribuídos em 490 Lojas.

Pensamentos Diversos

Acabei dormindo mais de uma hora e meia. Refleti um pouco. Conscio de que minha atual situação é reflexo de minhas próprias ações, mas também enojado de que uma empresa minúscula, entre cinco e dez anos tenha ficado gigantesca, com capital sem limites, mas além do trabalho, por sua associação com o filho de um dos maiores ladrões do país, (este que duas centenas de anos atrás pagaria pelo crime de lesa-pátria morrendo na forca e despojados juntamente com seus beneficiados de todos os bens), conseguiram um império bilionário, rindo-se da sociedade, rindo-se de minha condição de Justo e de minhas lutas por migalhas com meu trabalho, é revoltante, ultrajante. Ante a impossibilidade de punição, por conluio com juízes de máximas cortes, por entregar bilhões de reais como se fossem míseros centavos, saem ilesos para viverem nababescamente no exterior, relatando em áudio e vídeo seus inúmeros crimes cometidos e pior, tratando-os como se crimes não fossem. Seremos sempre os cordeiros ou tomaremos para nós as rédeas da nação? Revolta Já. Revolução Democrática já.