Encontro das Águas

Gomes   18 de novembro de 2016   Nenhum comentário em Encontro das Águas

Já andei por este mundão, já estive pelo Nordeste, pelo Norte, pelo extremo Sul, só faltou eu ir com meu Amor para o paraíso de Fernando de Noronha.  Por duas ocasiões estivemos, Lúcia e eu para ir até Noronha mas acabamos não indo lá.  Uma pena.  Mas sem deprê, hoje amiga Heyne me enviou um poema lindo, que fala sobre Manaus e os rios amazonenses. Estive com o povo do Jacques Cousteau, quando estiveram trabalhando nos rios Guaporé e Madeira em Rondônia e Solimôes, Negro e Amazonas no Estado com nome deste último.  Andei por esta região, amei conhecer o povo do Calypso. Estive tão perto do Calypso mas não cheguei a entrar nele.   Hoje tenho duas amigas que moram em Manaus, que aliás amei tbm conhecer.  A amiga Heyne, que me enviou o poema abaixo, e uma amiga que segurei no colo quando bebêzinha, a Larissa Ikino Hidalgo, na verdade sou amigo dos pais dela  🙂 Bom, a Dra. Larissa, que é médica pediatra, adotou Manaus para viver.  Gostei muito de Manaus , lembro que fiquei pelo menos duas vezes no Hotel Ariaú.  Vi a pororoca, vi as águas dos rios Negro e Solimões que não se misturam, O fenômeno visualizado na água dos rios Negro e Solimões é conhecido como Encontro das Águas, e consiste na confluência das águas pretas do Rio Negro com as águas barrentas do Rio Solimões que correm, uma ao lado da outra, em um percurso de 6 km, sem se misturarem em nenhum momento até chegarem ao Majestoso Rio Amazonas.rio-negro-e-solimoesO Rio Negro tem temperatura perto de 28º e corre a 2 km/h e carrega consigo uma quantidade grande de matéria orgânica proveniente de sua nascente, lá na Colômbia, o que, aliás, faz com que suas águas sejam escuras, o Rio Solimões possui 22º C, corre com 4 a 6 km/h e traz de sua nascente, nos Andes Peruanos, uma água barrenta formada pela concentração de sedimentos vindos do processo de erosão dos solos vulcânicos. (Este último parágrafo eu copiei na web e não lembro mais de onde peguei).  Mas chega de falatório, vamos ao belo poema de Quintino Cunha, que dá nome à este post e que me foi presenteado pela amiga Heyne.

Encontro das Águas

Vê bem, Maria aqui se cruzam: este
É o Rio Negro, aquele é o Solimões.
Vê bem como este contra aquele investe,
como as saudades com as recordações.

Vê como se separam duas águas,
Que se querem reunir, mas visualmente;
É um coração que quer reunir as mágoas
De um passado, às venturas de um presente.

É um simulacro só, que as águas donas
D’esta região não seguem o curso adverso,
Todas convergem para o Amazonas,
O real rei dos rios do Universo;

Para o velho Amazonas, Soberano
Que, no solo brasílio, tem o Paço;
Para o Amazonas, que nasceu humano,
Porque afinal é filho de um abraço!

Olha esta água, que é negra como tinta.
Posta nas mãos, é alva que faz gosto;
Dá por visto o nanquim com que se pinta,
Nos olhos, a paisagem de um desgosto.

Aquela outra parece amarelaça,
Muito, no entanto é também limpa, engana:
É direito a virtude quando passa
Pela flexível porta da choupana.

Que profundeza extraordinária, imensa,
Que profundeza, mais que desconforme!
Este navio é uma estrela, suspensa
Neste céu d’água, brutalmente enorme.

Se estes dois rios fôssemos, Maria,
Todas as vezes que nos encontramos,
Que Amazonas de amor não sairia
De mim, de ti, de nós que nos amamos!

Quintino Cunha.

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