O Melhor Amigo

Gomes   29 de agosto de 2016   Nenhum comentário em O Melhor Amigo

Tenho dois ótimos amigos agora, nesta nova fase de minha vida, sem minha amada Otadimim (Post em meu Facebook), que passou para o Eterno em 9 de fevereiro de 2015. Fiz bons e especiais amigos em São Paulo, mas agora tenho comigo dois novos amiguinhos peludos, o Harley e o Geada, meus dois cachorrinhos que dividem comigo meus dias e a caverna onde moramos. Fiéis, ajudaram-me muito quando minha alma chorava pela presença de minha doçura, principalmente Harley que chegou antes na caverna, ainda bebêzinho.  Descontem o eufemismo.

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Nas fotos acima, primeira linha meu Harley, que adotei bem novinho, com pouco mais de um mês de vida, na primeira foto ele está em minha mesa no Home Office. Ele é mestiço Poodle com um machinho Yorkshire Terrier.  Na linha inferior acima, o branquinho Geada que me adotou pois foi abandonado na entrada da caverna de forma vil e é um tomba (viralata) ao que presumo, e Geada é nome mais do que apropriado para este feliz cãozinho.  E minha querida (e linda) sobrinha, Mariana, segurando o Geada.  Ela não parece artista de cinema?  Parece e muito.  É uma artista na arte de viver.

E lembrando a famosa frase de Vinícius de Moraes que disse que o Whisky é o cão engarrafado, ou seja a bebida é também o melhor amigo do homem, eu navegando pela internet encontrei um blog que fala exatamente sobre Whiskies, e peço a permissão para reproduzir o post abaixo.   Bom novamente, com o falecimento de minha amada, fiquei um tanto transtornado, foi difícil, parei de trabalhar e agora apenas que retomo minha vida, mais de um ano do ocorrido. E evidentemente, não tenho mais apreciado a bebida, e como o último que bebi antes de perder a pessoa mais importante de minha vida, foi o Jack Daniel’s Gentleman Jack, realmente um whisky excepcional.

Abaixo então, o post que estou replicando que pertence ao blog http://ocaoengarrafado.com.br/jack-daniels-gentleman-jack/:

Gentleman-Jack-O-Cão-Engarrafado

Se você não se tornou famoso ainda, não se preocupe. Talvez isso aconteça mesmo só depois de morrer. Foi assim com Van Gogh, Edgar Allan Poe, Kafka, El Greco e Galileo Galilei. A distância – no caso, o tempo – nos permite enxergar com mais clareza a grandeza destas pessoas que, infelizmente, não puderam colher os louros de seus prolíficos trabalhos.

E neste enorme rol de injustiçados pela sociedade e vingados pela história, está Bach. Johann Sebastian Bach, conhecido por alguns como um dos maiores compositores de todos os tempos e por outros como o cara que fez a música do comercial daquela operadora, nunca recebeu o devido reconhecimento em vida. Foi só no século dezenove – ou seja, uns cinquenta anos após sua morte – que sua música foi revivida e alcançou a fama.

Certa vez Bach teria se candidatado ao posto de diretor de canto e música em Leipzig, mas somente foi aceito após outros dois candidatos – claramente preferidos pelo conselho da cidade – terem rejeitado a indicação. No melhor estilo barroco de “é o que tem para hoje”, o conselho o considerou uma alternativa razoável, dadas as circunstâncias.

E nem o mundo do whisk(e)y está a salvo destas injustiças. É o caso de Nearis Green. Durante cento e cinquenta anos, pouquíssimas pessoas conheciam o nome de Nearis, e menos ainda sua importância na história da mais famosa marca de Tennessee Whiskeys do mundo, a Jack Daniel’s.

Foi só recentemente que a marca, às margens de seu 150º aniversário, divulgou que Jasper (“Jack”) Newton Daniel teria, na verdade, aprendido a produzir whiskey com Nearis, e não com o conhecido reverendo Dan Call. Isso fora alterado nos registros pelo simples fato de Nearis ter sido um escravo negro pertencente a Call.

Assumir que a história foi convenientemente adaptada e assim contada por cento e cinquenta anos não chega a ser, exatamente, justiça. Mas é, talvez, uma forma de reparação moral, ainda que bastante tardia. E eu, também no espírito “antes tarde do que nunca”, resolvi que faria, em homenagem a isso, a prova de uma expressão há muito havia prometido. O Jack Daniel’s Gentleman Jack.

Para explicar a diferença entre o Gentleman Jack e o Jack Daniel’s Old No. 7, será preciso, antes, explicar o que significa Tennessee Whiskey.

De acordo com uma norma – a House Bill 1084 de 13 de maio de 2013* – para que um whiskey possa receber rótulo de Tennessee whiskey, ele deve ser produzido no Tennessee e atender a todos os requisitos legais para ser um Bourbon. Além disso, deve passar por um processo chamado Lincoln County Process, que é, basicamente, a filtragem do destilado recém produzido utilizando um filtro de carvão de bordo. O tal carvão funciona como um filtro natural, que retém as moléculas mais pesadas do destilado, permitindo a passagem apenas dos componentes mais leves. O resultado é um whiskey mais brando, com menos corpo, mas mais palatável.

O processo de produção do Gentleman Jack é semelhante àquela do Old No. 7. A mashbill é a mesma –  80% milho, 8% centeio e 12% cevada maltada – e a fermentação ocorre da mesma forma. Aliás, se você reparar no rótulo do Old No. 7, notará que há a expressão “sour mash whiskey”. Isso significa que parte do mosto úmido de uma fermentação anterior é adicionado ao novo mosto, antes deste ser fermentado. Este mosto residual é conhecido como sour mash. Ainda que não haja menção sobre esse processo no rótulo do Gentleman Jack, ele é comum às duas expressões da marca.

A destilação ocorre em colunas de cobre de aproximadamente quatorze metros de altura, que contam com uma espécie de válvula de refluxo. Este processo mudou ao longo dos anos. Na época de Nearis, os whiskeys eram produzidos em alambiques de cobre tradicionais. Foi somente após a década de trinta, com o fim da Lei Seca Norte Americana, que a Jack Daniel’s começou a empregar destiladores contínuos. Nas palavras – polêmicas – de Jeff Arnett, um dos antigos master distillers da Jack “a tecnologia envolvendo a destilação melhorou, de forma que se pode criar um produto mais consistente, assim, certamente tiramos vantagem disto, e sentimos que o Sr. Jack também o faria”.

A maturação do Gentleman Jack também não é muito diferente da empregada no Old No. 7. Ele passa em torno de quatro anos em barricas tostadas de carvalho americano. Os armazéns da Jack Daniel’s, são enormes, e as barricas ficam empilhadas em racks de até oito andares.

Por enquanto, a única coisa que separaria o Gentleman Jack de seu irmão seria a garrafa bonita. Mas há uma diferença essencial. Lembra-se quando expliquei do Lincoln County Process, lá em cima? Bem, acontece que o Gentleman Jack, além da primeira filtragem, comum a todos os Tennessee Whiskeys da marca, volta para o carvão de bordo após sua maturação. Essa é, essencialmente, a maior particularidade desta expressão. Isso só acontece com ele, e é isso que o diferencia do Old No. 7 – e dos demais whiskeys da marca.

Por aqui, uma garrafa do Gentleman Jack custa em torno de R$ 170,00 (cento e setenta reais). É um preço semelhante ao do Bulleit Bourbon e do Woodford Reserve, já revistos neste blog. Escolher entre um ou outro é uma questão de gosto. Dentre eles, o Gentleman Jack é o mais suave, e, provavelmente, o que mais agradará àqueles que não tem intimidade com whiskeys. É também apenas trinta reais mais caro do que o Jack Daniel’s Old No. 7.

Se você gosta do tradicional Jack Daniel’s Old No. 7, ou se é simplesmente apaixonado pela marca, não deixe de experimentar o Gentleman Jack. Porque até pode ser que você só vá receber o devido reconhecimento na posteridade, mas beber whiskey só é possível quando se está vivo. E aproveite para fazer um brinde a uma pessoa que foi injustiçada por uma das faces mais feias da humanidade, mas acabou recebendo redenção.

JACK DANIEL’S GENTLEMAN JACK

Tipo – Tennessee Whiskey

ABV – 40%

Região: N/A

País: Estados Unidos

Notas de prova

Aroma: adocicado, com bastante baunilha e mel.

Sabor: doce, com frutas em calda, baunilha e açúcar mascavo

Com água: a água torna o final mais adocicado e curto, e ressalta a baunilha no whiskey.

*Alguns detalhes da lei foram alterados posteriormente, para flexibilizá-la, mas como este não é um texto sobre a legislação norte americana, vou me abster a aprofundar o tema.

 

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