Sou um Estrangeiro neste Mundo

Sim, eu me sinto como um estrangeiro, um alienígena.  Não é fácil ser eu, sou sentimento puro. Mas a realidade anda muito dura, sabia.  Lei de Murphy, aliás já disse isso em post passado.  Aproveitando o gancho do título, e é claro que vou colocar aqui uma pedaço da obra de um escritor genial, Gibran Khalil Gibran, chamada O Profeta, e este trecho do livro, aliás tenho dois, só porque gostei da capa do mais novo por isso o comprei, então este trecho chama-se justamente Sou um Estrangeiro neste Mundo.  Eu sou mesmo um cara muito estranho, eu vejo coisas que não existem, ouço vozes, de gente viva e morta e também de quem, pela voz, não sei a quem pertence ou seja, talvez eu nem conheça a pessoa.   Estes dias estava lavando a louça, sim homens que moram sozinhos lavam sua própria louça, escutei minha amada, já falecida, falando assim: “Mas você vai limpar com este pano de prato sujo? pega um limpo, Amor.”  Imagine, não eu não gelei, porque isso já é normal para mim.  Outra, desta vez de pessoa viva, Graças a Deus, minha mãe, sim também ouvi ela falando comigo:  “Filho, isso não vai ficar bom, coloca mais um pouquinho de açúcar.”  É assim.  E eu já parei em um banco lá na Praça Rui Barbosa, em Curitiba.  Fiquei olhando as pessoas passarem, e vi uma moça, muito bonita aliás, ao longe mas não vinha em minha direção, eu fixei os olhos físicos e espirituais nela, “falando em pensamento” para ela vir até mim.   E ela veio e parou na minha frente, e falou: Nossa, saí do meu caminho, por um momento fiquei fora de mim, eu ia para lá (apontando o outro lado), mas que horas são?”   É assim.   Tenho muitas histórias para contar, talvez em outra hora.    Agora, vou colocar meu sentimento aqui para as pessoas lerem, são sentimentos expressos pelo genial Gibran, que como não tenho dom literário tomo agora:

Sou um Estrangeiro neste Mundo

Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.

Sou um estrangeiro para meus parentes e amigos. Quando encontro um deles, penso:
“Quem é ele? Onde o encontrei? Que me une a ele? Por que me aproximo dele e o frequento?”

Sou um estrangeiro para minha alma. Quando minha língua fala, meu ouvido estranha-lhe a voz. Quando meu Eu interior ri ou chora, ou se entusiasma, ou treme, meu outro Eu estranha o que ouve e vê, e minha alma interroga minha alma. Mas permaneço desconhecido e oculto, velado pelo nevoeiro, envolto no silêncio.

Sou um estrangeiro para o meu corpo. Todas as vezes que me olho num espelho, vejo no meu rosto algo que minha alma não sente, e percebo nos meus olhos algo que minhas profundezas não reconhecem.

Quando caminho nas ruas da cidade, os meninos me seguem, gritando: “Eis o cego, demos-lhe um cajado que o ajude.” Fujo deles. Mas encontro outro grupo de raparigas que me seguram pelas abas da roupa, dizendo: “É surdo como uma pedra. Enchamos seus ouvidos com canções de amor e desejo.” Deixo-as, correndo. Depois, encontro um grupo de homens que me cercam, dizendo: “É mudo como um túmulo, vamos endireitar-lhe a língua.” Fujo deles com medo. E encontro um grupo de velhos que apontam para mim com dedos trêmulos, dizendo: “É um louco que perdeu a razão ao freqüentar as fadas e os feiticeiros.”

Sou um estrangeiro, e já percorri o mundo do Oriente ao Ocidente sem encontrar minha terra natal, nem quem me conheça ou se lembre de mim.

Acordo pela manhã, e acho-me prisioneiro num antro escuro, frequentado por cobras e insetos. Se sair à luz, a sombra do meu corpo me segue, e as sombras de minha alma ma precedem, levando-me aonde não sei, oferecendo-me coisas de que não preciso, procurando algo que não entendo. E quando chega a noite, volta para casa e deito-me numa cama feita de plumas de avestruz e de espinhos dos campos.

Idéias estranhas atormentam minha mente, e inclinações diversas, perturbadoras, alegres, dolorosas, agradáveis. À meia-noite, assaltam-me fantasmas de tempos idos. E almas de nações esquecidas me fitam. Interrogo-as, recebendo por toda a resposta um sorriso. Quando procuro segura-las, fogem de mim e desvanecem-se como fumaça.

Sou um estrangeiro neste mundo. Sou um estrangeiro, e não há no mundo quem conheça uma única palavra do idioma da minha alma.

Caminho pela selva inabitada, e vejo os rios correrem e subirem do fundo do vale ao cume da montanha. E vejo as árvores desnudas se cobrirem de folhas, e florirem, e frutificarem, e perderem suas folhas num só minuto. Depois, suas ramas caem no chão e se transformam em cobras pintalgadas.

E as aves do céu voam, pousam, cantam gorjeiam e depois param, abrem as asas e viram mulheres nuas, de cabelo solto e pescoços esticados. E olham para mim com sensualidade. E estendem suas mãos brancas e perfumadas. Mas, de repente, estremecem e somem como nuvens, deixando o eco de risos irônicos.

Sou um estrangeiro neste mundo.

Sou um poeta que põe em prosa o que a vida põe em verso, e em versos o que a vida põe em prosa. Por isto, permanecerei um estrangeiro até que a morte me rapte e me leve para minha pátria.

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