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" Os símbolos dirigem o homem, a ele se impõem tornando-o feliz ou miserável; por toda parte encontra-se ele delimitado por símbolos, reconhecidos ou não. O próprio Universo não passa de um imenso símbolo divino. E que é o próprio homem, senão um símbolo de Deus? Todos os seus atos não são, simbolicamente, reveladores, para os sentidos, da força mística divina que nele reside ?" Thomas Carlyle.
Lege, Lege, Relege, Ora, labora et invienes.
Abrirei os meus lábios para Sábias Palavras, e proferirei os Segrêdos dos tempos antigos. Sl 78.2
"Tenho comigo uma flor e uma espada. Sou poeta e sou soldado. A flor eu devo oferecer ao meu semelhante de quem sou eterno servidor. Com a espada posto-me ao portão de minha propria alma,sempre atento e austero ante quem está lá dentro ou que querem entrar, e que precisam ser educados com disciplina e trabalho. Sou poeta e sou soldado." Tagore
P. De onde vindes? - R. Da Loja de São João. P. Que tazeis? - R. Boa acolhida ao Irmão Visitante.
Et Lux In Tenebris lucit et eam nom comprehenderunt
Atendendo a pedidos dos nossos visitantes,
mas não tendo mais textos descritivos em meus arquivos, resolvi postar um trecho do livro Dr. Leocádio José Correia - Médico do Corpo e da Alma, de Valério Hoerner Jr. pela SBEE,
esperamos que seja de bom proveito aos nossos leitores. O relato é de
um acontecimento tempo após o falecimento do Dr. Leocádio.
"A noite estava cheia de estrelas.
Do catre, o menino semimorto gemia sob uma falsa claridade vinda das frestas do barraco paupérrimo. Ao lado uma casinha sanitária exalava um cheiro insuportável.
Vila Pinto, Curitiba. A um canto, a mãe aguardava o desfecho, sob as
vistas complacentes de mais seis crianças maltrapilhas e sujas que pareciam não compreender a dimensão do infortúnio.
O pai, carpinteiro de profissão, permitira tempos atrás que a vida lhe
fosse corroendo o corpo, de uma casa na Vila Nossa Senhora da Luz,
viu-se obrigado a uma situação de absoluta promiscuidade. A cachaça
tomara conta dele e em último recurso catou pelas ruas tábuas e latas de
querosene, com elas construiu seu desajeitado barraco, pois a casa
perdera-a por não poder pagá-la. A mãe, apegada aos santos que conhecia.
Apegada até ao homem de aspecto austero, cavanhaque longo, do retrato
pendurado na parede. Pusera-o ali a pedido de uma vizinha solidária, que
lhe disse ser o retrato de um tal de Dr. Leocádio. A madrugada ia
em frente. Da vela só restava um toco. Não havia outra. Um médico da
Saúde Pública ali estivera há dois dias e saiu dizendo nada. Nisso, três
pancadas à porta, sob a luz das estrelas, foi identificado à porta um
homem que segurava uma maleta preta. - "Gente doente, dona? Eu quero dar uma olhada."
Como negar?? Mas sem esperar um convite formal o homem foi empurrando
de maneira brusca a porta mal enjambrada. Aproximou-se do catre.
Curvou-se para ouvir o coração do doente. Abriu a maleta. De dentro
tirou um vidrinho. Mexeu e remexeu o semimorto. Deu-lhe do frasco para
beber. Depôs, em seguida, alguns outros vidros em cima do caixote que
fazia de mesinha, todos rotulados à mão, com a posologia escrita. Fechou
a maleta e dirigiu-se à porta, cuidando para não bater a cabeça num
vigote vivo do teto. Fora da casa, voltou-se para a mulher, mãe do
menino: - "Ele vai ficar bom. A senhora tem que dar-lhe aqueles remédios como eu desejo. Está tudo escrito."
A claridade das estrelas iluminou-lhe a face. Incrível, o homem do
retrato! O tal de Dr. Leocádio. A mulher, cheia de curiosidade,
correu para olhar a parede, onde estava pendurado o retrato. Era ele
mesmo. -"Interessante a vizinha não ter dito que o Dr. Leocádio era
vivo..."